Navi Pillay, juíza sul-africana, ganha o Nobel da Paz

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Navi Pillay, UN High Commissioner for Human Rights, addresses the opening of the twenty-fifth regular session of the Human Rights Council.

A juíza sul-africana Navi Pillay é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, anunciado nesta sexta-feira (9) em Oslo. O Comitê Norueguês do Nobel destacou a “coragem e integridade excepcionais” de uma trajetória que ajudou a construir uma ordem jurídica internacional capaz de punir os crimes mais graves.

Pillay recebeu a notícia num lugar simbólico: um tribunal em Nuremberg, na Alemanha, a cidade dos julgamentos que inauguraram a justiça penal internacional depois da Segunda Guerra Mundial.

Segundo a ONU News, a primeira reação dela foi achar que se tratava de uma piada. “Sendo advogada e juíza, ainda quero verificar essa história”, brincou. Ela dedicou o prêmio aos sobreviventes de crimes internacionais. Ela é a quinta pessoa da África do Sul premiada, depois de Albert Lutuli, Desmond Tutu, Nelson Mandela e F.W. de Klerk.

De Durban a Robben Island

A história de Pillay é, antes de tudo, uma história africana. Nascida em Durban, filha de uma família de origem indiana, ela abriu o próprio escritório de advocacia em 1967, na então província de Natal. Foi a primeira mulher não branca a fazer isso, num país onde as leis do apartheid lhe fechavam as portas dos grandes escritórios. Ali defendeu militantes contra o regime e lutou na Justiça pelos direitos dos presos políticos de Robben Island, onde Nelson Mandela esteve preso por 18 anos.

Ruanda e um precedente histórico para as mulheres

Depois do genocídio de 1994 em Ruanda, Pillay tornou-se juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado pela ONU, e mais tarde foi presidente da corte. Foi lá que participou de uma das decisões mais importantes do direito internacional: no caso Akayesu, em 1998, o tribunal reconheceu pela primeira vez que o estupro pode constituir um ato de genocídio. A partir dessa decisão, a violência sexual em conflitos deixou de ser tratada como um “efeito colateral” da guerra e passou a ser julgada como crime.

Pillay foi depois juíza do Tribunal Penal Internacional, em Haia, e alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014. Mais recentemente, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU. Em 2025, essa comissão concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza.

Navi Pillay (seated right), UN High Commissioner for Human Rights, and Adama Dieng (centre), Special Adviser to the Secretary-General on the Prevention of Genocide, meet with Riek Machar (left), former Vice President of South Sudan

Atualmente, ela exerce a função de Juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, desde 2019, no processo de genocídio que a Gâmbia move contra Myanmar pela perseguição aos rohingya. “Ad hoc” quer dizer que um dos países no processo indica um juiz só para aquele caso; foi a Gâmbia que a escolheu. Ela também é presidente da Comissão Internacional contra a Pena de Morte, com sede em Madri.

Navi Pillay, United Nations High Commissioner for Human Rights, addresses the Human Rights Council during its Special Session on the Central African Republic.

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“A força da lei deve prevalecer sobre a lei da força”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, felicitou a laureada e disse que Pillay mostrou que a força da lei deve prevalecer sobre a lei da força. O atual alto-comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, chamou a antecessora de “irmã mais velha” e classificou o prêmio como uma “vitória coletiva para os direitos humanos”.

A cerimônia de entrega será em 10 de dezembro, na Prefeitura de Oslo. Além da medalha e do diploma, Pillay vai receber 12 milhões de coroas suecas, cerca de 1,2 milhão de dólares.

Com informações da ONU News