
Pelo menos 139 migrantes morreram depois que o barco em que viajavam virou na costa de Djibuti, e outras 84 pessoas continuam desaparecidas, informou neste domingo a agência da ONU para as migrações (OIM). Entre as vítimas há crianças: a OIM havia contabilizado 15 em um balanço anterior, com 109 mortos.
O número subiu de 109 para 139 após a recuperação de mais 30 corpos. A OIM ressalta que o total oficial corresponde apenas aos corpos sepultados pelas autoridades de Djibuti e pode aumentar. As buscas continuam.
A embarcação levava 305 pessoas de Djibuti rumo ao Iêmen quando naufragou, perto de Guehere, ao norte de Obock, na noite de quinta-feira ou na madrugada de sexta-feira. Os migrantes haviam embarcado na noite de 8 de outubro. Mais de 80 pessoas sobreviveram, todas de nacionalidade etíope, e recebem atendimento no centro de resgate da OIM em Obock por ingestão de água do mar e estado de choque.
Para o chefe da missão da OIM em Djibuti, Alexandre Coissac, o naufrágio, ocorrido perto da costa, deveu-se principalmente à superlotação da embarcação. A OIM o descreveu como um dos naufrágios mais mortais já registrados na Rota Oriental, que liga o Chifre da África à Península Arábica.
“Eles têm todos uma mãe, um pai, e talvez nunca saibamos o que aconteceu”, disse Coissac, ao lembrar que os mortos são enterrados sem identificação, em uma vala comum.
Em movimento, apesar dos riscos
O naufrágio ocorre em meio ao fluxo contínuo de pessoas nos dois sentidos em Djibuti. Dezenas de milhares de migrantes percorrem a cada ano a Rota Oriental, passando por Djibuti e atravessando o estreito de Bab el-Mandeb. O Projeto Migrantes Desaparecidos da OIM registrou mais de 900 mortes ou desaparecimentos ao longo da rota no ano passado.
Desde 10 de setembro, a Matriz de Rastreamento de Deslocamentos (DTM) da OIM registrou mais de 20 mil entradas no país vindas da Etiópia, já que os migrantes continuam a seguir para o Golfo, apesar da retomada de combates em larga escala no Iêmen. No mesmo período, mais de 3.700 refugiados chegaram do Iêmen, e 539 migrantes etíopes retornaram de lá.
Coissac disse a jornalistas em Genebra, em 6 de outubro, que o país enfrenta “emergências sobrepostas”. “Djibuti, portanto, está lidando com movimentos nos dois sentidos”, afirmou, acrescentando que os migrantes ficam cada vez mais retidos no país: mais de 3 mil foram vistos ao longo das rotas djibutianas entre 20 e 30 de setembro, muitas vezes sem acesso a serviços básicos.
“Ninguém entra em um barco assim a menos que acredite que não existe outro caminho seguro”, disse a diretora-geral da OIM, Amy Pope. “Não podemos continuar tratando essas mortes como normais. Vias seguras e legais salvam vidas. Peço que governos e doadores ajam antes que o próximo barco afunde.”
As autoridades de Djibuti seguem com as operações de busca e recuperação, enquanto cresce o temor pelos que ainda não foram localizados. A OIM presta assistência emergencial aos sobreviventes em seu Centro de Resposta a Migrantes em Obock, com atendimento de saúde, apoio psicossocial, alimentação, abrigo e serviços de proteção.
O Coordenador Residente da ONU em Djibuti, José Barahona, disse estar profundamente entristecido com a perda de pelo menos 139 vidas, entre elas crianças. “Nossos pensamentos estão com as vítimas, os sobreviventes e as famílias que aguardam notícias de seus entes queridos”, escreveu nas redes sociais. “Expressamos nossa solidariedade e acolhemos os esforços de busca e resgate em andamento.”
Cada vida perdida no mar é uma tragédia, acrescentou, lembrando o recente alerta do Secretário-Geral de que essas mortes evidenciam a urgência de proteger as pessoas em movimento, ampliar as vias seguras de migração e fortalecer a cooperação internacional.
Fontes: ONU News e OIM (11 out. 2026); AP/PBS NewsHour (11 out. 2026)



