Com infomações da UNESCO
Luanda recebe nos dias 22 e 23 de outubro a 4ª edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência. Neste ano, o encontro tem como tema “Reforço da governança da água na África como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos”, e vai discutir como a gestão de rios, bacias e aquíferos pode evitar disputas, fortalecer a cooperação entre países e sustentar a paz no continente.
A escolha acompanha o tema que a União Africana definiu para 2026, dedicado à disponibilidade sustentável de água e a sistemas de saneamento seguros. Segundo a UNESCO, a água continua sendo essencial para a subsistência e para a economia africana: a agricultura responde por cerca de 79% de toda a água doce captada na África, enquanto o acesso a água potável e a saneamento básico segue insuficiente.
Criada em 2019, a Bienal de Luanda é promovida pelo Governo de Angola, pela UNESCO e pela União Africana. A organização leva ao fórum os dados do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, que acompanha a disponibilidade de água, a sua gestão e a pressão das mudanças climáticas.
Os debates estão organizados em quatro eixos: água, paz e cooperação transfronteiriça; governança da água e cidadania científica; água, mudanças climáticas e migração; e investimento em água e formação de capacidades.
A cerimônia de abertura, na quinta-feira (22), às 9h30, terá discurso do presidente de Angola, João Lourenço, e intervenções do presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, e do diretor-geral da UNESCO, Khaled El-Enany. As boas-vindas ficam a cargo de Dionísio Manuel da Fonseca, ministro de Estado e chefe da Casa Civil da Presidência angolana. Em seguida, um diálogo intergeracional reúne chefes de Estado e de governo e jovens líderes da África e da diáspora em torno da Agenda 2063, o plano de desenvolvimento de longo prazo da União Africana. Ainda no primeiro dia, o Painel I trata da diplomacia da água e da integração regional como caminhos para prevenir e mediar conflitos.
Na sexta-feira (23), o Painel II discute a participação das comunidades, a inclusão de mulheres e jovens e o respeito aos direitos humanos; o Painel III aborda resiliência climática, eventos extremos e a relação entre água, clima e conflitos no contexto da migração e dos deslocamentos internos; e o Painel IV fecha o programa com infraestrutura, financiamento e parcerias público-privadas. O encerramento, às 17h, terá a leitura da Declaração da 4ª Bienal de Luanda e um comunicado final da União Africana, da UNESCO e do Governo de Angola.
Paralelamente, cátedras UNESCO, universidades africanas e internacionais, especialistas e educadores participam de sessões no Parque de Ciência e Tecnologia (22) e na Universidade Óscar Ribas (23), em Luanda. Os temas vão da ética na inteligência artificial e da cidadania digital à cooperação em bacias hidrográficas compartilhadas e à educação para a paz, incluindo uma sessão sobre o Fundo das Nações Unidas para a Consolidação da Paz.



